TECNOLOGIAS PARA INCLUSÃO: ALIADAS DA EDUCAÇÃO OU DA HIPOCRISIA?

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A inclusão escolar de pessoas com qualquer tipo de deficiência ainda é um assunto que assusta instituições escolares, professores, coordenadores pedagógicos e demais profissionais de educação. Afinal, na história da educação as diversas deficiências foram amplamente discriminadas ou “tratadas” em instituições especiais. A onda da inclusão vem da necessidade de dar voz a um grupo significativo da sociedade. Neste sentido, as tecnologias podem auxiliar o processo de inclusão, principalmente quando estas tecnologias permitem o usuário conquiste autonomia para enfrentar os diversos ambientes e cenários. É o caso do AIPOLY VISION, criado pelo startup AIPOLY para auxiliar deficientes visuais a “enxergarem” o ambiente.
O AIPOLY VISION pode transformar as imagens em palavras, facilitando que o usuário reconheça o básico de itens presente em um ambiente. Para isso, basta apontar o celular para o objeto que será reconhecido e transformado em som. Segundo Alberto Rizolli cofundador da AIRPOLY a ideia foi baseada na situação em que vamos a um lugar com um deficiente visual e descrevemos para ele o ambiente.
O uso da tecnologia certa para inclusão depende de duas atitudes básicas do docente: sensibilidade e criatividade.  A sensibilidade vem de enxergar o aluno com deficiência não como um
 Estorvo ao andamento das aulas e a aplicação dos conteúdos, mas sim como uma oportunidade de pesquisar e empregar novas metodologias. E o que pensa Regina, professora de um colégio na periferia de São Paulo. Para ela a inclusão não pode ser confundida com adaptação. “Adaptação é um passo da inclusão, acessibilidade e uso de tecnologias são importantes, porém sem a integração com os outros alunos e comunidade escolar não haverá sucesso” sentencia a professora.
A sensibilidade também vai do docente pensar em uma aula inclusiva de verdade. “Quando falo a uma classe : olha aqui ou escuta isso, posso involuntariamente estar excluindo da atividade alguns alunos que não tem capacidade para tal” afirma Paulo José professor do estado do Rio de Janeiro. “Aí entra em cena a criatividade do professor” conclui o mestre.
A professora Maria Jose da Silva,docente em um colégio particular no centro de São Paulo usa e aprova a tecnologia. “Tenho dois alunos com deficiência visual, o uso do aplicativo permitiu uma maior independência e autonomia” afirma a docente. Além disso, a docente observou que o uso de aplicativos favorece a interação entre as crianças, curiosas com o aplicativo.
O mesmo caso não pode ser observado na escola da professora Gertrudes Arruda, 56 anos, no interior do Ceará. “Aqui falta energia elétrica, água encanada, salas de aula” lamenta. Os alunos daqui nunca tiveram contato com um computador completa. Percebe-se assim que o uso de tecnologias nem sempre depende só da boa vontade do docente, esbarrando na má gestão dos recursos públicos
Além disso,quantidade de pessoas que se declaram com algum tipo de deficiência tem aumentado no Brasil. Se este aumento se dá pela diminuição do preconceito, ou por técnicas médicas, sociais e educacionais mais modernas é algo a ser analisado. Fato é que o aumento tem chamado atenção do mercado para o desenvolvimento de produtos, aplicativos e serviços destinados para este segmento.
O interesse é compreensível, pois há cada vez mais no mercado pessoas com algum tipo de deficiência trabalhando, seja pelas oportunidades de desenvolvimento de suas competências, seja pela pelos resultados de políticas afirmativas como a reserva de vagas oferecidas em empresas e concursos . Portanto, vemos aí um grupo que entra na lógica capitalista da oferta/produto.
Importa dizer, que infelizmente no Brasil a inclusão e a educação como um todo são tratadas com descaso pelas autoridades. Falta desde estrutura e capacitação até itens básicos nas escolas como merenda e material de limpeza. “O governo não faz a sua parte e atribui os insucessos da educação, como a inclusão, à falta de competência dos professores” diz uma líder sindical dos professores que não quis se identificar.
Para o sucesso de uma tecnologia inclusiva o grande ponto é a universalização do acesso à tecnologia. Este ponto não depende exclusivamente do professor. É preciso incentivar politicas públicas sérias para que a população, principalmente os deficientes tenham acesso aos diversos recursos tecnológicos que podem tornar sua vida mais fácil.
É preciso um olhar geral apurado na questão. De um lado há importantes instrumentos tecnológicos a serviço da inclusão, seja no meio educacional ou na vida cotidiana. Do outro lado existe uma desigualdade gritante no tocante ao acesso a estas novas tecnologias. No meio temos uma filosofia do politicamente correto e da hipocrisia gritando aos quatro ventos uma ideologia equivocada de inclusão. Resta saber quais destas forças vencerão.


Por Antonio Carlos Perucci Junior, RU 479562
Polo – Lençóis Paulista
Data : 05/09/2017 


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